sábado, 4 de agosto de 2012

DIÁLOGO TEXTUAL



Intertextualidade bíblica

 A inigualável narrativa bíblica começa assim:  “No princípio criou Deus os céus e a terra. E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas. E disse Deus: Haja luz. E houve luz.” Gênesis 1.1- Grifo meu.. Esse texto tão incrível não passou despercebido por Manuel Bandeira, grande  poeta brasileiro, que escreveu: “A primeira vez que vi Teresa/ Achei que ela tinha pernas estúpidas/Achei também  que a cara parecia uma perna/Quando vi Teresa de novo/Achei que os olhos eram muito mais velhos que o resto do corpo(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto do corpo nascesse) Da terceira vez não vi mais nada/Os céus se misturaram com a terra/ E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas.” – Obviamente está bem diferente do texto que o inspirou, com frases sinuosas e com seus rumos semânticos desviados; mas, ainda assim, é um diálogo textual com a Bíblia.
O objetivo proposto por esse tipo de diálogo com outro texto é muito simples: mas é preciso perspicácia linguística, adquirida de conhecimento literário anterior.
A intertextualidade bem elaborada atrai o leitor e o conduz ao texto original. Isso a Bíblia faz muito bem, e consigo mesma. Os textos do Antigo Testamento são reproduzidos pelo Novo Testamento, em completa harmonia, conduzindo seus leitores a uma confirmação da mensagem anteriormente anunciada.
         Contudo essa percepção pode não ser tão imediata, visto que o contexto bíblico parece se mover como as águas do oceano. Eu mesma só depois de algum tempo lendo a Bíblia é que me deparei com tais diálogos. O primeiro deles percebido por mim foi Deuteronômio 30.11-14, que diz: “ ...Este mandamento que hoje te ordeno, te não é encoberto, e tão pouco está longe de ti. Não está nos céus para dizeres: Quem subirá por nós aos céus, que no-lo traga, e no-lo faça ouvir, para que o façamos? Nem tão pouco está dalém do mar, para dizeres: Quem passará por nós, para que no-lo traga, e no-lo faça ouvir, para que o façamos? Porque esta palavra  está muito perto de ti, na tua boca, e no teu coração, para a fazeres.” - dialogando com o Capítulo 10 da epístola aos Romanos, versículos 6 a 9: “...Não digas em teu coração: Quem subirá ao céu? (isto é, a trazer do alto a Cristo). Ou: Quem descerá ao abismo? (Isto é, a tornar a trazer dentre os mortos a Cristo). Mas que diz a palavra está junto de ti , na tua boca e no teu coração: esta é a palavra da fé, que pregamos, a saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo.” Esse diálogo ocorre numa interação tão perfeita que o versículo 6 da epístola aos Romanos 10 poderia dar sequência ao versículo 14 de Deuteronômio 30.
Mário Quintana também não resistiu ao diálogo com a Bíblia, e assim escreveu: “No princípio era o Verbo. O verbo Ser. Conjugava-se apenas no infinito. Ser, e nada mais. Intransitivo absoluto.” -  Realmente não dá para resistir. Quintana não conseguiu; embora o tenha feito com sentido bem diferenciado do texto original, pois brincando com as flexões verbais, fez do trecho bíblico uma crítica à gramática verbal.
        
            Eno Teodoro Wanke, escreveu: “No princípio era o verbo. Depois veio o sujeito e os outros predicados: os objetos, os adjuntos, os complementos, os agentes, essas coisas. E Deus ficou contente. Era a primeira oração.” Também um diálogo textual com João 1. Numa referência gramatical aos elementos sintáticos. Ficou incrível, então não resistimos e “corremos a buscar” Jo 1.14: “No princípio era o verbo... e o verbo se fez carne..”.  que dialoga perfeitamente com I aos Coríntios 15.45 que diz: “O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente:  o último Adão em espírito vivificante,,..” – Neste trecho nos deparamos com uma zeugma complexa logo depois do termo último :  ... e o último Adão [se fez] em espírito vivificante”. Aqui uma intertextualidade muito mais difícil.
O versículo 14 toma, pois, outras proporções. E mais ainda quando nos deparamos com o verbete do dicionário Aurélio acerca do vocábulo Verbo que diz: “Palavra. Vocábulo. Ação. A segunda pessoa da Santíssima Trindade, encarnada em Jesus Cristo”. E aí não há mais o que se dizer. O verbo se fez, isto é, Jesus Cristo fez a si mesmo carne, e pronto. Ponto final.



sábado, 21 de julho de 2012

sujeito simples e claro



Moisés perguntou a Deus qual o nome que ele deveria anunciar aos israelitas no Egito: Deus prontamente lhe respondeu: “Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós”(Êx 3.14). Moisés prontamente obedeceu. Eu posso até imaginar a cena: Moisés se aproxima deles com seu cajado na mão. E vai logo dizendo: Irmãos, o EU SOU me enviou a vós. Ele vai libertar vocês. Não temam. Eles, então, maravilhados: Como assim? O EU SOU?! Ah! O Todo-poderoso, O Senhor dos Exércitos, O Deus forte! Não há o que temer. Estamos bem protegidos. Vamos em frente. Nele nós podemos confiar.
         Mas as provas estão só começando: Uma praga atrás da outra. E Faraó nada de libertar o povo. Ah, EU SOU, onde estás? Queremos fugir deste lugar. Fugir?! Não. Não trabalho desta maneira. Vocês sairão livres. Resgatados com mãos fortes, pois EU SOU.
EU SOU o caminho, e a verdade e a vida... (Jo 14.6), EU SOU a porta...(Jo 10.9), EU SOU a luz do mundo...(Jo 8.12), EU SOU a videira verdadeira... (Jo 15.1), EU SOU o pão vivo que desceu do céu, (Jo 6.51), para alimentar a multidão que me segue, e eles serão alimentados para sempre.
EU SOU, quem é que é o caminho, e a verdade, e a vida? EU SOU. Quem é que é a porta? EU SOU. Quem é que é o pão vivo, que desceu do céu? EU SOU.
Ah! É tão fácil descobrir o sujeito destas orações. É só perguntar ao VERBO: QUEM É QUE É? EU SOU, e não há outro. Não há outro Deus além de mim, que trabalhe para aquele que nele espera..... (Is 64.4) Espere por mim. Confie em mim. Conte comigo, porque EU SOU DEUS.

sábado, 28 de abril de 2012

A SEMENTE É A PALAVRA DE DEUS


A SEMENTE É A PALAVRA DE DEUS

A semente plantada por mim em PORTUGUÊS ATRAVÉS DA BÍBLIA, é muito especial, pois ela transforma corações  em campos férteis para apreender e assimilar a PALAVRA DE DEUS.
Quando estudamos verbos (uma das dez classes gramaticais), reconhecemos neles o VERBO DE DEUS, Jesus Cristo. O Verbo, a Palavra, a ação de Deus, que se fez carne (assim, na voz reflexiva – ele fez carne a si mesmo) e habitou entre nós (Jo 1.14)
Os modos verbais revelam a atitude do falante:  No modo indicativo temos a certeza, a convicção.: “ Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16)”. No modo subjuntivo a conjectura, a hipótese: “Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele (Jo 3.17).  Já o modo imperativo, que só o víamos como ordem, mando, deparamo-nos com o convite de Jesus: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei (Mt 11.28)”. Aqui nada temos de ordem (embora Vinde esteja no imperativo);  temos sim um convite do Consolador. Também ainda quando Deus fala a Abraão: “Anda em minha presença e perfeito (Gn 17.1).” Deus não estava dando uma ordem ao seu amigo Abraão. Ele o estava convidando para que andasse em sua presença. O ladrão da cruz, por sua vez, não estava dando uma ordem a Jesus, ele estava suplicando: “Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino (Lc 23.42)” este ladrão reconheceu o Rei dos reis, e então a convicção de Jesus o confortou: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso (Lc 23.43)”. O salmista Davi pedia a Deus: “Não te lembres dos pecados da minha mocidade... (Sl 25.7)” Vejam o imperativo expressa muito além da ordem. Expressa convite, súplica, pedido. E muitas vezes ele é até substituído pela futuro do presente do modo indicativo. Observe os dez mandamentos: Êx 20 “Não terás, não matarás, não furturás, não dirás...” o tempo verbal aqui utilizado é o futuro do presente do modo indicativo com força de imperativo.Não é incrível?! Mas por que isso? É simples. O modo imperativo expressa o momento presente (então a ordem é momentânea), enquanto que o futuro do presente, assim contextualizado, expressa a ordem continuada, ou seja, o mando que deve ser obedecido  vida afora. Ok? Não matar, não roubar, não adulterar, assim por toda a vida, como o expressa tão bem o infinitivo, cujo valor é atemporal. Para designar o futuro do presente do modo indicativo os gramáticos dizem mais ou menos assim: O futuro do presente do indicativo expressa uma ação futura tida como certa em relação ao hoje. Uma ação futura tida como certa: Não matarás, não roubarás, não adulterarás, não dirás falso testemunho etc. Não matarás hoje, amanhã, depois, depois de amanhã, em 2020, 2030, e até quando Jesus te chamar para estares com ele no paraíso.
A semente, pois,  que foi semeada em teu coração, é a Palavra de Deus, e esta palavra produz frutos dignos de arrependimento(Lc 3.8).
            Glória a Deus!!!

domingo, 1 de abril de 2012

a sentença mais significativa


Jesus chorou
A revista VEJA, de 21 de outubro de 2009, da editora Abril revelou uma pesquisa recente feita pelo professor americano Brooks Landon, a qual nomeou como a mais significativa sentença de todos os tempos a frase bíblica (Jo 11.35) de apenas duas palavras: “Jesus chorou”, em inglês: “Jesus Wept” – em francês: “Jésus pleura” – espanhol: “Jésus lloró”.
Que frase pode ser mais marcante do que esta? Duas palavras que traduzem a essência do amor de Deus. Jesus chorou por Lázaro, por Marta, por Maria, por Jerusalém, por mim e por você.
Na Bíblia encontramos muitas outras frases e até mesmo palavras que traduzem por si só o imensurável amor de Deus. Uma delas é a palavra “Jesurum” (Is 44.2), transcrição fonológica de uma palavra que pode ser aramaica ou hebraica, cujo significado: “um amado, uma amada de Deus” enche os corações de júbilo, ou ainda “Jedidjá (II Sm 12.24-25), que significa “querido de Jeová” – palavra hebraica em transcrição fonológica.     
A Carta Magna de Deus à humanidade tem muito e muitos trechos linguisticamente interessantes e peculiares, que aguçam nossos sentidos literários. O primeiro deles é a frase: Vou e venho para vós (Jo 14.28), que traduz a agilidade com a qual Jesus se locomove entre o céu e a terra. Nesta frase o verbo ir, cuja regência pede a preposição para, combinado ao verbo vir, no sentido de voltar de  (dita desta maneira: “Vou e venho”) expressa muito mais do que se a Bíblia na Língua Portuguesa a elaborasse em sua regência rígida, o que aumentaria o número de vocábulos.
Isso, no entanto, ocorre em outras línguas, como por exemplo em inglês: “I go away, and come again unto you”; e em espanhol: “Me voy, y vendré a estar com ustedes outra vez” ou ainda em francês: “Jem’en vais, et je reviens vers vous” – que optaram por frases mais alongadas, contrapondo-se a frase em português, que diz simplesmente: “Vou e venho para vós”; traduzindo em poucas palavras o que outras línguas não conseguem expressar: Jesus vem num abrir e fechar de olhos.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012


Qual a Linguagem da Bíblia?

Jesurum, Hefizibá! O que quer dizer Jesurum? O que significa Hefizibá?Jesurum: amado(a) de Deus, é o seu significado. E Hefizibá é “o meu prazer está nela” – em Jerusalém, com suas ruas de ouro – seu mar de cristal – pelo Rei que a governa – aquela que não precisa de sol, pois o Rei dos reis a alumia – nela não há noite, não há lágrimas, não há tristezas – só a linguagem do amor.
Mas na linguagem do amor – antes da Jerusalém prometida – existe a linguagem que instrui, que orienta: Ouve, ó Israel, prepara-te para te encontrares com o teu Deus. Unge os teus olhos para que vejas. Aguça os teus ouvidos para que ouças. Olhe para o alto, para o autor e consumador da fé (que ninguém te engane). Ande com sabedoria. A tua palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibas como te convém responder a cada um.
Entra pela porta estreita, porque larga é a porta da perdição. Ah! Tantos são os que entram por ela. Jesus é a porta estreita (ninguém vem ao Pai - ele disse - senão por mim). Jesus é o caminho. Jesus é a verdade, Jesus é a vida!!! Pense nas coisas que são de cima, e não nas coisas que são da terra. Então tu verás o céu aberto, e os anjos de Deus, subirem e descerem sobre o Filho do homem. Tu já lestes estas palavras de Jesus no capítulo primeiro do João? NÃO! Se pois o Filhos te libertar, serás livre. Ah! Tu a conheces. Que palavra maravilhosa! Tu és livre. Tu podes voar como a águia. Voe aos braços do mestre. Jesus te acolherá debaixo das suas asas, assim como a galinha, que protege os pintainhos.
A linguagem da Bíblia – afetiva por excelência – é a linguagem do amor, “porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito; para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”, Jo 3.16.

Referências bíblicas utilizadas neste texto: Cap 21 e 22 de apocalipse. Mc 13.6, Cl 4.5, Cl 4.6 Jo 1.51, Jo 8.36